Quase maio, quase 5, quase 10, quase 50... A distância ajuda sempre a criar perspetivas limpas: o que foi, o que é, o que nunca foi importante. Mas não — o tempo, quase presente, passado, está sempre impregnado de uma suposta importância.
Um rolo, uma máquina, um momento, uma pessoa, uma emoção.
E depois,.... passou!
Não ficou imagem para olhar.
Ando distante da fotografia, para mal dos meus pecados — eu, que até gosto de pecar — e sair rua fora, perder-me na distância que crio com as coisas que fotografo. Sim, porque não me venham com tretas de aproximação — qualquer objeto que se ponha entre nós e o mundo cria distância. Ponto final. Parágrafo.
Mas esta distância não é por objeto.
Há muitos tipos de distância — esta é por falta de espaço.
Curioso, não é? Como, em tão pouco espaço, pode caber tanta distância?
Pois bem: não tenho espaço, atualmente, para fotografar. Os segundos preenchidos ao milésimo, a atenção sugada para conseguir dar conta do recado — dos recados, e são muitos. O tempo não estica. Ou melhor: estica, mas a perspetiva muda. O resultado também. E eu não sei viver num tempo esticado.
Espero.
O tempo da fotografia há de voltar. O cheiro dos químicos também. A destreza do toque no papel, até a luz vermelha que me faz ver o que não existe.
Desta vez, não me sento na cadeira junto à mesa de ferro, debaixo da árvore.
Qual é a árvore? Bem visto.
Fiquemo-nos, por agora, só pela árvore.
Porque não tenho mais tempo para isto.
Mas a distância — essa — ainda não me impede de te ver.

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